• Texto sugerido por

    Ana Flávia Petrovic Fattore
    • Psicóloga graduada pela UNESP, Especialista em Psicologia Clínica pela PUC-SP, Especialista em Psicologia Hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo-HSPE-SP. Atuou como responsável pelas UTIs Clínica e Cirúrgica do Incor – HCFMUSP.

  • 12 Responses to “O Diagnóstico em psiquiatria e psicanálise”

    1. Camila Ribeiro Lemos

      Lendo o texto: ‘ O diagnóstico em Psiquiatria e Psicanálise’, pude observar as diferenças na abordagem e na forma como é feito o diagnóstico da Psiquiatria e da Psicanálise. Ao mesmo, tempo, o texto traz à tona a importância do trabalho feito em conjunto por essas duas áreas do saber e como a Psiquiatria que valoriza a fala, anda de mãos dadas com a psicanálise, contribuindo para a melhora do paciente e eficácia do tratamento.
      Foi muito interessante observar que a clínica, como dita no texto, feita ‘ao pé do leito’, estimulando o diálogo, possibilitou descobertas em prol do diagnóstico, e ajudou no andamento do tratamento e na consequente melhora da paciente. A psicanálise evidenciou aspectos da história de vida da paciente indispensáveis para o entendimento da problemática em questão e como se deu o surgimento da doença.
      A leitura do texto foi muito agradável e esclarecedora, pois pude entender melhor as diferenças de diagnóstico de duas áreas diferentes, e observar, a partir do estudo de caso, como um bom trabalho feito em equipe traz benefícios concretos para os sujeitos.
      Além disso, foi muito bom ter acesso, no texto, a uma breve explicação sobre o estilo de cada um dos manuais diagnósticos e as diferenças entre eles.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Camila, obrigada pelo comentário. Que bom que você pode observar as diferenças diagnósticas, este é o ponto alto do texto. Uma observação: no texto, podemos indicar que é usual a valorização da fala pela atual psiquiatria? Ou foi uma valorização da fala não intencional, por parte do psiquiatra responsável neste momento pelo caso (ou seja, há uma singularidade presente), que auxiliou? O diangóstico sindrômico tem valorizado ou não a fala dos pacientes? É um ponto importante, vale observar. Um abraço!

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    2. Camila Ribeiro Lemos

      Acrescento ao comentário anteriormente enviado, as diferenças entre ambas as formas de diagnosticar e suas consequências para o tratamento. A Psiquiatria, tendo como base a Medicina, possui uma forma de diagnosticar muito mais baseada na análise descritiva do caso. Tendo assim, um olhar mais focado, para aquilo que caracteriza determinada doença e o conjunto de sintomas, ou as síndromes. Algumas linhas mais tradicionais da Psiquiatria valorizam a fala do paciente como instrumento no tratamento, porém atualmente este campo do saber baseia-se mais naquilo que é observado visualmente, na análise daquilo que é visto, e tendo como base os tradicionais manuais diagnósticos, para, assim, formar conclusões acerca do quadro apresentado. Seria, deste modo, uma clínica do Olhar. Neste sentido, deixando de lado a fala da paciente, o que ocorre é um tratamento exclusivamente medicamentoso e que utiliza, em alguns casos, o recurso do Eletrochoque. A paciente, mencionada no texto, respondia ao tratamento psiquiátrico, mas recidivas ocorriam com frequência.
      A partir deste momento, a Psicanálise entrou em cena, trazendo suas especificidades que contribuíram significativamente para o tratamento. Tendo como base a escuta do paciente, o psicanalista formulou hipóteses e atento a um único lapso na fala da paciente e à sua história de vida, pôde supor um diagnóstico de Histeria. Neste sentido, a psicanálise traz uma forma diferente de diagnosticar, sendo basicamente uma clínica da Escuta (e não do Olhar), formulando suas teorias a partir do que ouve do paciente e da sua forma de se expressar. A partir da fala da paciente a Psicanálise busca fenômenos elementares que caracterizam cada uma das enfermidades e constrói, assim, suas indagações a respeito do caso. Atua, então, junto ao paciente e à suas próprias formulações. A psiquiatria fenomenológica, trouxe um olhar que ajudou em parte no tratamento, mas a partir de determinado ponto se tornou superficial, enquanto que a Psicanálise com o diagnóstico estrutural e à escuta do paciente, pôde esclarecer melhor o que girava em torno da problemática da doença, elucidando questões e trazendo como contribuição final uma visível melhora da paciente.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Olá Camila. Neste comentário você conseguiu apontar as diferentes lógicas implicadas na psiquiatria e na psicanálise: olhar e escuta. sintoma e estrutura. Isso é muito importante. Você apontou bem que a psiquatria tem se localizado na lógica da Medicina, o que é muito importante para nosso trabalho em hospital geral.Vale observar que o nome do procedimento médico é Eletroconvulsoterapia, abreviado em ECT. Eletrochoque é o nome popular do procedimento, com teor pejorativo pois rememora o modo como eram feitos nos manicômios. Também não podemos considerar que a psiquiatria fenomenológica é superficial, enquanto que a psicanálise é profunda. São teorias diferentes, cada qual com sua contribuição. Um abraço!

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    3. Patrícia Almeida

      Com a leitura do artigo: “O diagnóstico em psiquiatria e psicanálise” pude tirar minhas dúvidas, além de ter adquirido mais compreensão do assunto “proposto”. Para mim, o ato de ler, torna o conhecimento mais amplo e diversificado, sendo assim bastante válido e enriquecedor. Os autores foram bastante claros, precisos e consistentes em todo o contexto.
      Achei extremamente relevante conhecer mais profundamente o trabalho psiquiátrico frente ao paciente. Destaco que o profissional citado dá à devida importância a fala, história de vida do “enfermo”, indicando que não se limitam apenas ao olhar clinico, exames e manuais diagnósticos. Foi importante também, compreender o que é para a Psiquiatra, síndrome, como saber a diferenciação do diagnóstico sindrômico para o diagnóstico nosológico. Outro ponto apresentando no texto que me chamou atenção foi o da “conversa intensiva, ao pé do leito”, por parte da equipe. Gostaria de ressaltar que acho primordial, ofertar a escuta ao paciente internado, no intuito deste poder ressignificar as suas vivências, como no caso clinico apresentado no artigo. Ficou visível neste, o efeito positivo que o “ouvir” da equipe trouxe a paciente. Acredito que independente do local, a psicanálise é sempre psicanálise à medida que preconize o uso da associação livre e da transferência.
      O texto expôs com afinco as distintas maneiras de diagnóstico Psicanalítico e Psiquiátrico. Este ultimo é baseado na Psicopatologia, que é a minuciosa observação dos quadros apresentados pelos pacientes. Diferentemente do diagnóstico psicológico, o diagnóstico psiquiátrico não é interpretativo, e sim fenomenológico. Este é baseado no olhar clinico, em exames de modo geral, como nos manuais diagnósticos. No artigo, o médico submeteu a paciente, Maria, a sessões de eletroconvulsoterapia (ECT) que no início surgiram efeito, a fazendo sair do “quadro estuporoso”. Depois, esta fez o uso de medicamentos (particularidade do psiquiatra), como o acompanhamento da equipe. Pude verificar também no texto que para o diagnóstico psiquiátrico a “conversa” está ausente da anamnese psiquiátrica porque ela importa cada vez menos para a fundamentação desta. Vale reforçar que o diagnóstico em psiquiatria é uma “agregação de sintomas”, e essa é uma clínica do olhar, mais do que da escuta. A psiquiatria é mais fiel à tradição clínica, mas a fala do paciente também está presente. O Psiquiatra resolve o “problema”, intervindo sobre as situações mais agudas e encaminhando esses pacientes para a “psicoterapia”. No texto, a paciente não colaborou com o médico, dificultou em prestar informações, onde no texto denominou a expressão “mutismo”.
      Já, a visão psicanalítica, o diagnóstico é de estrutura, mas é também, sob transferência. É tida como estrutural, pois se propõe a ir além dos fenômenos, que é a relação, a posição diante do outro. O artigo pontuou que a escuta e o fazer falar é oficio do psicanalista. Um grande instrumento do analista é “estrategicamente” através de técnicas, “induzir” a fala do paciente e neste caso clínico, obteve êxito. O analista ouviu minuciosamente, sempre com bastante atenção e cautela. A paciente, em questão, foi cessada pela equipe, das sessões de eletrochoque, sendo favorecida a dá o poder da sua “palavra”. E, como resultado dessa proposta, esta ainda internada, ao sair do mutismo, pede ao médico que não lhê submeta a sessão de eletrochoque.
      Enfim, tanto a Psiquiatria quanto a Psicanálise trouxeram suas contribuições dentro de particularidades e limitações para a melhora da paciente. Para mim, a primeira colaborou com o seu saber , “sem profundidade”, diante dos sintomas que a “enferma” apresentava. A segunda mostrou ter sido mais eficaz, neste caso, para a melhora da paciente, pois o trabalho do analista surgiu efeito, no sentido, desta conseguir falar, expor sua vida, e consequentemente sua “dor”. Diante, de todos os relatos, associação livre, o psicanalista pôde entender melhor, “intervindo”. Vale ressaltar, que no texto, segundo relato, a melhora da paciente foram devidas as intensas conversas, ao pé do leito, depois esta chegou a ter alta e posteriormente, indicada para o acompanhamento ambulatorial. O trabalho em conjunto, o respeito pelas categorias profissionais e a ética é que fazem a diferença.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Olá Patrícia, obrigada pelo comentário. Você fez uma observação muito importante: os elementos necessários à escuta clínica são a associação livre e a transferênca. Independem do local físico, e este é um aspecto importante do atendimento em hospitais, ao pé do leito, em utis.
        Um abraço!

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    4. Katiacy Santos

      No artigo: “O diagnóstico em psiquiatria e psicanálise”, revela a história de Maria uma paciente que mostra dificuldades em exteriorizar os seus sentimentos, a sua verbalização, vivendo um processo de negação de si mesma, deixando de se alimentar, evacuar, etc. Desta forma, a psiquiatria trabalha com algumas sugestões diagnósticas, na tentativa de encontrar uma causa orgânica, para a doença que se encontra instalada. Algo está refletindo sobre o seu comportamento, alterando-o de forma significativa, modificando o funcionamento do seu organismo, ou seja, a válvula de escape dar-se-a nos sintomas que impactam na fisiologia e estrutura neurológica da paciente. A psiquiatria procura focar no que se estampa aos seus olhos, do que escutar o real sofrimento do paciente, preocupando-se em reunir os sintomas. Enquanto que a psicanálise, trabalha na investigação e observação dos processos psíquicos da paciente, na tentativa de facilitar a interação com ela mesma e com o mundo, no seu contexto bio-psico-social, envolvendo-a no seu processo vital.
      Esse deixa em evidência a importância das duas áreas, uma de certa forma interage e complementa a outra, agregando conhecimentos e experiências das suas práticas e valores para contribuir na qualidade de vida do ser humano em sua totalidade.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Katiacy, obrigada pelo comentário. Vamos atentar para a última frase de seu comentário, distinguindo a importância das duas áreas. Trata-se disso mesmo. São diferentes lógicas diagnósticas, não há hierarquia (uma é superior a outra) ou valoração (uma é melhor que a outra). Um abraço!

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    5. Lívia Leite

      A partir da leitura do texto “O diagnóstico em psiquiatria e psicanálise” foi possível compreender as diferenças entre o olhar da psiquiatria e da psicanálise acerca do sujeito adoecido.
      Observa-se que atualmente a psiquiatria possui um olhar mais voltado para o diagnóstico sindrômico, adotando um padrão biológico de visão de homem (modelo biomédico), deixando a parte o sujeito e os seus aspectos psíquicos e sociais, suas vivências e história de vida (modelo biopsicossocial), fatores que contribuiriam para um diagnóstico mais completo, diminuindo também os rótulos e possíveis identificações com o transtorno/doença. Estabelece o foco no sintoma associado à doença/transtorno, ou seja, traduz o comportamento, pensamento ou sentimento em sinais e sintomas, segrega o sujeito e preza pela medicalização.
      É importante salientar que, quando há uma olhar mais voltado para psiquiatria clínica tradicional, existe também uma maior sensibilidade, o que favorece um olhar também direcionado para o sujeito e sua subjetividade, fatores que vão além da sintomatologia presente, que serão indicativos importantes para realização do diagnóstico, porém, nem sempre esse é o padrão utilizado pelos profissionais.
      É possível perceber que a ciência e, consequentemente, a psiquiatria têm valorizado a especificidade, a descrição dos sinais e sintomas e enquadramento em um diagnóstico, sem dar margem a fala do paciente e a compreensão do que existe além do sintoma/doença. Por outro lado, a psicanálise/psicologia vem mostrar a importância da fala do sujeito, da compreensão dos suas vivências e história de vida e de como estes aspectos estão associados ao adoecimento.
      Importa saber como esse sujeito sente e vivencia o adoecimento e hospitalização, quais comportamentos adota e como esse repertório comportamental pode funcionar enquanto suporte. Valoriza o estabelecimento de uma relação, posição diante do outro, que favorece a fala, a exposição /expressão de sentimentos, pensamentos e comportamentos desse sujeito. Acredita-se que é através da fala que as respostas das indagações serão encontradas, possuindo assim, uma visão mais ampla acerca do sujeito (visão biopsicossocial). Através dessa conduta, será possível estabelecer um diagnóstico estrutural e portanto, favorecer a melhora do paciente.
      Cabe ainda ressaltar que ambas áreas se fazem necessárias dentro do contexto da saúde, cada uma com sua particularidade, dessa forma é importante compreender a relevância inquestionável de um olhar mais completo acerca do sujeito (o que falta na psiquiatria biológica) para que então seja realizado um diagnóstico mais humanizado, se assim se pode dizer, permitindo deste modo, um tratamento mais eficaz e a consequente melhora/recuperação do paciente.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Lívia, interessante comentário. Você apontou bem a importância da multidisciplinaridade. Conseguiu observar a analogia existente entre a psiquiatria e as outras especialidades médicas. Trouxe à discussão questão da psquiatria atual x psiquiatria tradicional, observando assim que este campo do saber também sofreu modificações ao longo da história. Apontou a atual e recorrente valorização dos sinais e sintomas para o diagnóstico. E fez a aproximação com a hospitalização, como sugerida na pergunta sobre o texto. Muito bom, um abraço!

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    6. Ana Verena Moura Carvalho

      No texto “O diagnóstico em psiquiatria e psicanálise” de Ana Cristina Figueiredo e Fernanda Tenório, encontra-se uma discussão interessante a respeito dos critérios diagnósticos em psiquiatria e psicanálise e o modo de como é feito esse diagnóstico e a influência na condução do tratamento.
      O diagnóstico psiquiátrico é embasado pelos sintomas físicos apresentado pelo paciente, passíveis de observação, para assim poder ser feito o diagnóstico sindrômico e ajudar no diagnóstico nosológico. Esse último orienta a intervenção a longo prazo e tem um alcance mais profundo visando a cura biológica tentando diminuir ou sanar os sintomas físicos apresentados. Para a psiquiatria, no momento diagnóstico, o sujeito atuante com sua subjetividade pouco importa. O diagnóstico é somente uma agregação de sintomas, o que é visível e pode ser classificado nos instrumentos classificatórios da medicina é levado em consideração, o que diferencia disso é excluído e não tem importância na condução do tratamento.
      Em contra ponto com o modo de como é feito o diagnóstico psiquiátrico, o psicanalítico prioriza o sujeito como atuante e responsável na condução do seu diagnóstico e tratamento. Para o psicanalista a fala do sujeito, o modo de como se sente frente às situações vividas são o que ocasiona os sintomas biológicos. Sendo assim, as questões vivenciadas e o que o sujeito traz para sua história de vida é o que vai ser trabalhado para poder ser feito o diagnóstico e o modo do tratamento.
      Em ambas as áreas, a fala do paciente precisa estar presente e ser levada em consideração para se haver a promoção do bem estar físico, psíquico e emocional do sujeito.

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      • Ana Flávia Petrovic Fattore

        Ana Flávia Petrovic Fattore

        Verena, interessante comentário. Você observou bem as diferenças nas formas de realizar o diagnóstico, o que é uma maneira de conhecer os diferentes saberes sobre saúde mental. Notou a diferença entre uma forma de diagnosticar baseada na observação e outra na fala. Ficam algumas perguntas para a reflexão: os sintomas são biológicos ou se manifestam no corpo? Há uma diferença. A biologia por você citada, não teria haver com uma tentativa da psiquiatria em se aproximar ao máximo das outras áreas da medicina, estas sim voltadas ao tratamento do sintoma biológico? Um abraço!

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